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Por Virna Teixeira*

Traducción por Francisco Gelman Constantin

Curador de la muestra Fabrício Marques

Crédito de la foto www.vimeo.com/user562285

 

 

Tarjeta de visita.

9+1 poemas de Virna Teixeira

 

 

conversación

 

entre sombras de

árboles, la noche

 

 

hierba, donde

pesadas las

palabras

 

 

dejaban como

frutos

 

 

pequeñas equimosis

bajo la

pulpa.

 

 

 

pabellón 8

celda 63

 

 

hace quince días

que te agarraron a

vos

 

 

inscripción en los dedos

fox

 

 

en las celdas

de los ojos

 

 

una tarjeta de visita

afuera

espera

 

 

 

la sentencia

 

 

apuro

 

 

en el silencio

de la enfermería

 

 

“es peligroso lo que

podría

decir”

 

 

en la nieve, el zorro

 

 

deja rastros

 

 

Caronte

 

y atravesaron

ríos

sombríos e

islas (de

opio)

 

 

en la frágil

embarcación

el cuerpo

 

 

quedarse ahí en

el caos,

olvidada

 

 

hasta el lento

pathos

 

 

de la vuelta.

 

 

 

Misóginos disfrazados de mecenas. Zapatos de cuero bien lustrados con cordones. Riots en Crydon y Guaianases, centro de medicina fetal, mujeres con burqa. Luna llena y fuga en un tren a Escocia al son de London’s burning. Para oír el viento con los druidas en Arthur’s seat. Otra taza de té en el jardín botánico. Reposaba tomando sol con las focas, siempre cerca de volcanes activos. Rosencranz y Guildestern no saben tocar la gaita, pero Hamlet se deja manipular. Un lotario dirige la pieza. Algo está podrido en el reino de Dinamarca, pese al verde. La poesía no puede esperar, pero gestar es un oficio extremo.

 

 

emoción estética fila para kaos jack dracula punks east london nada es real sentido posible de la metamorfosis consciente a la deriva soirée cíclica boxeo clandestino arena contradictoria pasillos impensables guantes cinema verité vibran colores cassavetes ciudad cámara súbita expuesta a luz del día

 

 

 

puede ser tu mente

inventando cosas

 

 

al límite mirando alrededor

constantemente

 

 

¿te sentís seguro cuando salís de casa?

¿estuviste bebiendo?

 

 

nadie te está acusando

 

 

es una situación complicada

la habilidad de leer pros y contras

tomar decisiones

 

 

sí, va a haber problemas

 

 

vamos a pedir que te quedes

 

 

 

Si vos me dijeras que sos un ángel, no te juzgaría. Un ángel es una especie de inocente.

 

 

Soy un individuo, no soy una persona típica, entonces la dosis de la medicación no debía ser típica.

 

 

Está afectando mis derechos de ángel. Mi inocencia está siendo abusada. En realidad me diagnosticaron desmoralización e inutilidad. La enfermedad ya estaba.

 

 

Fuera de este estado inducido, soy una persona bienaventurada.

 

 

Pensar ayudó con mi estado mental, creo que hablar es la forma de resolver las cosas.

 

La poeta Virna Teixeira

 

Estás vestida como el proyecto monarca, toda de jaguar. No digo nada señorita. ¿Entonces pensás que soy una putita neurocientífica vestida de estampado animal? Quizás tengas razón. La psiquia-tría es solo una técnica de control mental, la ciencia un delirio narrativo basado en evidencia. Siento mucho tus delirios somáticos. ¿De femme fatale a médica residente? No te puedo soltar. ¿Me vas a denunciar? ¿Me estás ofreciendo humildemente té? Te movés tan rápidamente, tan elegantemente. Sos la hipster del hospital, el gran viajero del transporte público. Entonces te tropezás al lado del Támesis con un alcoholismo escondido, y volvés sangrando.

 

 

 

¿Estás recibiendo mensajes? Puede ser. Del espacio.

 

 

Hace mucho tiempo que no veo un pájaro. La última vez fue en una habitación extraña. ¿Qué paso con las British Airways?

 

 

¿Me podés dar una semanita por favor? No hice nada terrible.

 

 

El fisicoculturista al lado mío repite la pregunta, Do you like liquid angels? Canales de potasio y K holes, iluminación de láser verde. La chica, de bigote y con vestido de flamenco y zuecos, se da aire con un abanico. Esclavos empujan corriendo en la proyección del film bíblico. Deep beep. Por qué alguien haría una bisección peneana. Implantó el bagel sintético en el antebrazo y apretó los dientes. Placeres desconocidos. Un escocés de mini-kilt y botas, torso desnudo, y un mohicano con bebés rubios de plástico gateando. Alternados, pañales azules y rosados. La vida química de las pool parties. Giro cingulado e hipocaptación en la corteza frontal. SPECT, sueños vívidos de lamotrigina. Subtipos de receptores sinápticos. Luego vendrá una nueva molécula, mientras la mujer reptil baila, con piercings de silicona en los maxilares.

 

 

 

————————————————————————————————————————–

(poemas en su idioma original, portugués)

 

 

Cartão de visita.

9+1 poemas do Virna Teixeira

 

 

conversa

 

entre sombras de

árvores, a noite

 

 

relva, onde

pesadas as

palavras

 

 

desabam, como

frutos

 

 

pequenas equimoses

sob as

polpas.

 

 

pavilhão 8

cela 63

 

 

faz quinze dias

que eles prenderam

você

 

 

a inscrição nos dedos

fox

 

 

nas grades

dos olhos

 

 

um cartão de visita

lá fora

espera

 

 

 

a sentença

 

 

apuro

 

 

no silêncio

da enfermaria

 

 

“é perigoso, o que eu

poderia

dizer”

 

 

na neve, a raposa

 

 

deixa rastros

 

 

 

Caronte

 

e atravessaram

rios

sombrios e

ilhas (de

ópio)

 

 

na frágil

embarcação,

o corpo

 

 

ficar ali

no caos,

esquecida

 

 

até o lento

pathos

de volta.

 

La poeta Virna Teixeira leyendo.

 

Misóginos disfarçados de mecenas. Sapatos de couro bem lustrados com cadarços. Riots em Crydon e Guaianases, centro de medicina fetal, mulheres de burqa. Lua cheia e fuga num trem para a Escócia ao som de London’s burning. Para escutar o vento com os druidas no Arthur’s seat. Outra chávena de chá no jardim botânico. Eu me recolhia tomando sol com as focas, sempre perto de vulcões em atividade. Rosencranz e Guildestern não sabem tocar gaita-de-foles, mas Hamlet não se deixa manipular. Um lothario dirige a peça. Há algo de podre no reino de Dinamarca, a pesar da verdura. A poesia não pode esperar, mas gestar é ofício extremo.

 

 

 

emoção estética fila do kaos jack dracula punks east london nada é real possível sentido da metamorfose consciente à deriva soirée cíclica boxe clandestino arena contraditória corredores impensáveis luvas cinema verité cores vibram cassavetes cidade súbita câmera exposta à luz do dia

 

 

 

pode ser a sua mente

inventando coisas

 

 

no limite olhando em volta

constantemente

 

 

você se sente seguro quando sai de casa?

você tem bebido?

 

 

ninguém está te acusando

 

 

é uma situação complicada

a habilidade de ler os pros e contras

tomar decisões

 

 

sim, haverá problemas

 

 

vamos pedir que você fique

 

 

Se você me dissesse que você era um anjo, eu não julgaria você. Um anjo é uma espécie de inocente.

 

 

Eu sou um indivíduo, eu não sou uma pessoa típica, então a dose da medicação não devia ser típica.

 

 

Está afetando meus direitos de anjo. Minha inocência está sendo abusada. Na realidade eu fui diagnosticado com desmoralização e inutilidade. A doença já era.

 

 

Diferentemente deste estado induzido, eu sou uma pessoa bem-aventurada.

 

 

Pensar tem ajudado o meu estado mental, e eu acredito que falar é a forma de resolver as coisas.

 

 

 

Você está vestida como o projeto monarca, toda de oncinha. Não digo nada senhorita. Então você pensa que eu sou uma periguete neurocientista vestida de estampa animal? Talvez você esteja certo. A psiquia-tria é só uma técnica de controle mental, a ciência um delírio narrativo baseado em evidência. Sinto muito por seus delírios somáticos. De femme fatale a médica residente? Não posso te liberar. Está indo me denunciar? Está humildemente me oferecendo chá? Você se move tão rapidamente, tão elegantemente. Você é a hipster da enfermaria, o grande viajante do transporte público. Então você tropeça ao lado do Tâmisa com um alcoolismo escondido, e volta sangrando.

 

 

 

Você está recebendo mensagens? Pode ser. Do espaço

 

 

Faz muito tempo que não vejo um pássaro. A última vez foi numa peça incomum. O que aconteceu com a British Airways?

 

 

Pode me dar uma semaninha por favor? Eu não fiz nada de medonho

 

 

O halterofilista ao meu lado repete a pergunta, Do you like liquid angels? Canais de potássio e K holes, iluminação de laser verde. La pequena, de bigode e com vestido de flamenco e tamancos, se abanha com um leque. Escravos puxam correntes na projeção do filme bíblico. Deep beep. Por que alguém faria uma bissecção peniana. Implantou o bagel sintético no antebraço e serrou os dentes. Prazeres desconhecidos. Um escocês de mini-kilt e botas, o torso exposto e um moicano de bebês loiros de plástico, engatinhando. Alternam-se em fraldas azuis e cor-de-rosa. A vida química das pool parties. Giro do cíngulo e hipocaptação no córtex frontal. SPECT, sonhos vívidos de lamotrigina. Subtipos de receptores sinápticos. Logo virá uma nova molécula, enquanto a mulher réptil dança, com piercings de silicone nas maxilas.

 

 

 

 

 

*(Fortaleza-Brasil, 1971). Poeta, traductora, curadora y editora. Vive en Londres (Reino Unido), donde se desempeña como médico en salud mental en el NHS. Ha publicado tres colecciones de poesía escocesa en Brasil y traducciones de autores latinoamericanos como Gastón Baquero, José Kozer, Héctor Hernández Montecinos, Horacio Fiebelkorn y María Eugenia López al inglés. Fue cocuradoras del Festival Ibero-Americano de Poesía Tordesilhas en São Paulo (2007) y en Lisboa (2010); y curadora del Festival Internacional Simpoesia en São Paulo (Brasil). En la actualidad, dirige la editorial Carnaval Press, especializada en poesía brasileña. Trabaja con video arte. Edita una revista bilingüe online de poesía, Theodora (www.theodorazine.com). Ha publicado en poesía Visita (2000), Distância (2005), Trânsitos (2009), Suite 136 (2017), A Terra do Nunca é Muito Longe (2014); las versiones bilingües de Suite 136 y Neverland is Too Far Away y diversas plaquetas de poesía. Distancia (2007) y Fin de Siècle (2008).

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