Por: Armando Freitas Filho*

Curador de la muestra: Fabrício Marques

Traducción: Teresa Arijon

 Crédito de la foto: www.proparnaiba.com

 

 

7 + 1 poemas de Armando Freitas Filho

 

25

 

Copa que se hace de espacio

aire y soplo, tan frágil

que no detiene ningún

color del espectro, ni el trago

del agua más limpia

completándose así: vacía

y transparente — casi inútil.

Pero se presta a la contemplación

al ser usada por el pensamiento

cuando la mano, alzándola

del nivel del mar, la coloca

de cara a la luz, pegada

al cielo, o a su significado.                                        20 XI 2001

 

 

 

Último tigre

(para Miguel Sayad)

 

No el de Blake, en llamas

ni el que entrevió Borges

a través de las rejas, tal vez hasta

impresas en el pelo, templando

el oro del ataque y del remanso

interrumpido por las franjas de sombra

yendo y viniendo, entre la miel y la fiera.

Sino el que sobró en Asia o África

— hoguera sola extinguiéndose

en su furia e instinto — sin la mano

que contornee la ferocidad de la garra

y del mirar extremo, o el recuerdo

de su noble metal encendido, sol abierto

incluso dentro de la ceguera, ahora

cada vez más rayado y oscurecido

por las líneas del grafito y el carbón.

 

 

 

Urca

(Para Cri)

 

en casa           En el jardín, abrupta, primaria

la roca aflora —¡es el pie en el suelo

del Pan de Azúcar, pronto, sentido!

Centinela que golpea en el cielo, en continencia.

Parado, atrás de la casa, equilibrado

para no dar un paso de más, para no pisar

la vida del pequeño jardín, en el bosque de rafias.

 

en la calle       Aroma a piso de baldosa mojada

y de pasto recién cortado ralo.

El mar siempre orillando las piedras, pero

a veces, raro, en resaca, en el paredón.

El rumor arañado de las hojas secas en la calle

la nota sola, aguda, repetida, retomada

del rap ardiente de la banda de las cigarras

y la percusión breve de las almendras

cuando caen en la calzada, y medio hueca

cuando golpean el techo y el capot de los autos.

 

(De Nominal)

 

 Daniel Pereira

 

Tres tipos de piedra

 

La sucesiva montaña de Sainte-Victoire

vista desde varias distancias.

La Catedral de Rouen

ante las diferentes horas del día.

El Empire State, filmado sin parar

con la cámara parada – frontal

encendiendo y apagando sus ventanas.

 

 

 

MORS EGO SUM MORTIS: VOCOR AGNUS SUM LEO FORTIS

 

Tatuaje fuerte en lugar noble.

Verter, cerca de la fuente del cabello

hacia la lengua próxima, la sensación

enmarañada. Mi latín lejano

claudica, pero los sentidos están abiertos:

la muerte de la muerte muerde el hombro

me llaman cordero, y mi nombre

prevalece – con la fuerza del león.

 

(De Raro mar)

 

 

 

Bebo de tu vaso, en secreto.

Bebo tu resto. Pienso que siento

el gusto de tu boca en el labio de vidrio.

Saliva, lápiz labial, suspiro, sonrisa.

Así te enamoro, siempre a través.

Mediado por alguna cosa

que tocaste y vestiste — bata

suave olvidada al final de la tarde

al borde de la piscina, en Petrópolis

que capturo a la noche, igual

al suéter dejado, lánguido en el sofá

que todavía guarda la forma

de tu aroma, frente al fuego que muere

en el living frío, en la alta madrugada.

 

 

***

 

 

Escribo a espaldas de la madre

mancillada por el amor

en las espaldas de los tíos envarados

por la indiferencia y el sarcasmo

en la cara de los primos ejemplares

reescribo, corrijo, haciendo

presión con el lápiz romo

para marcar mi disidencia

en la familia programada, pero

bajo los ojos serios del padre

que me desencorva, y apoya

incluso desconfiado

sin palabra explícita para

no subrayar de más su intención

su odio difuso que también

me toca en fuerte trans

fusión, consigo, conmigo mismo

hasta alcanzar la malvada conciencia.

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Alumbramiento

 

Lencería color carne: desnuda, todavía no

pero transparente, en la luz del día penetrante.

Sentimiento de espera, víspera, furtivo

al tener que desnudarte, que librarte

una vez más, de la elástica desnudez sintética

que resiste, eludiendo los sentidos:

líquida, deslizante, fugitiva

de jersey, nylon, o seda

término medio entre la piel y el agua

dada vuelta, con pasión y paciencia

para llegar hasta la terrra firme del cuerpo desnudo.

 

(De Lar,)

 

 

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(poemas en su versión original en portugués)

 

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El poeta Armando Freitas Filho
Crédito de la foto: Sérgio Liuzzi

7 poemas da Armando Freitas Filho

 

25

 

Taça que se faz de espaço

ar e sopro, tão frágil

que não detém nenhuma

cor do espectro, nem o gole

da água mais limpa

completando-se assim: vazia

e transparente – quase inútil.

Mas se presta à contemplação

ao ser usada pelo pensamento

quando a mão alçando-a

do nível do mar, a coloca

de encontro à luz, colada

ao céu, ou ao seu significado.                                     20 XI 2001

 

 

 

Último tigre

(para Miguel Sayad)

 

Não é o de Blake, em chamas

nem o que entreviu Borges

através das barras, talvez até

impressas no pêlo, temperando

o ouro do ataque e do remanso

interrompido pelas tiras de sombra

indo e vindo, entre o mel e a fera.

Mas o que sobrou na Ásia

– fogueira sozinha se extinguindo

em sua fúria e instinto – sem a mão

que contorne a ferocidade da garra

e do olhar extremo, ou a lembrança

do seu nobre metal aceso, sol aberto

mesmo dentro da cegueira, agora

cada vez mais riscado e escurecido

pelas linhas do grafite e do carvão.

 

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Urca

(para Cri)

 

em casa    No quintal, abrupta, primária

a rocha aflora – é o pé no chão

do Pão de Açúcar, pronto, sentido!

Sentinela batendo no céu, em continência.

Parado, atrás da casa, equilibrado

para não dar um passo a mais, para não pisar

na vida do pequeno jardim, no bosque de ráfias.

 

na rua     Cheiro de chão de cerâmica molhada

e de grama recém cortada rente.

O mar sempre beirando as pedras, mas

às vezes, raro, em ressaca, no paredão.

O rumor arranhado das folhas secas na rua

a nota só, aguda, repetida, retomada

do rap ardente da trilha das cigarras

e a percussão breve  das amêndoas

quando caem na calçada, e meio abaulada

quando batem no teto e no capô dos carros.

 

(Do Nominal)

 

 

 

Três tipos de pedra

 

A sucessiva montanha de Sainte-Victoire

vista de várias distâncias.

A Catedral de Rouen

diante das diferentes horas do dia.

O Empire State, filmado sem parar

com a câmara parada – frontal

acendendo e apagando suas janelas.

 

 

 

MORS EGO SUM MORTIS: VOCOR AGNUS SUM LEO FORTIS

 

Tatuagem forte em lugar nobre.

Verter, perto da fonte de cabelo

para a língua próxima, a sensação

emaranhada. Meu latim longínquo

claudica, mas os sentidos estão abertos:

a morte da morte morde o ombro

chamam-me cordeiro, e meu nome

prevalece – com a força do leão.

 

(Do Raro mar)

 

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Bebo do seu copo, em segredo.

Bebo o seu resto. Penso que sinto

o gosto de sua boca no lábio de vidro.

Saliva, batom, suspiro, sorriso.

Assim te namoro, sempre através.

Mediado por alguma coisa

que você tocou e vestiu — roupão

macio esquecido no fim da tarde

na beira da piscina, em Petrópolis

que eu capturo à noite, igual

ao cashemere largado, lânguido no sofá

que ainda guarda a forma

do seu cheiro, diante da lareira que morre

no living frio, na alta madrugada.

 

 

***

 

 

Escrevo nas costas da mãe

conspurcada pelo amor

nas costas dos tios empertigados

pela indiferença e sarcasmo

na cara dos primos exemplares

reescrevo, corrijo, fazendo

pressão com o lápis rombudo

para marcar minha dissidência

na família programada, mas

sob os olhos sérios do pai

que me desencurva, e apóia

mesmo desconfiado

sem palavra explícita para

não frisar demais sua intenção

seu ódio difuso que também

me atinge em forte trans

fusão, consigo, comigo mesmo

até alcançar a malvada consciência.

 

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Alumbramento

 

Lingerie cor de carne: nua, ainda não

mas transparente, na luz do dia penetrante.

Sentimento de espera, véspera, furtivo

ao ter que te despir, de te livrar

mais de uma vez, da elástica nudez sintética

que resiste, iludindo os sentidos:

líquida, deslizante, fugitiva

de jérsei, náilon, ou seda

meio-termo entre pele e água

virada pelo avesso, com paixão e paciência

para chegar até a terra firme do corpo nu.

 

(Do Lar,)

 

 

 

 

*(Rio de Janeiro-Brasil, 1940). Poeta. Trabajó como investigador  en la Fundación de Rui Barbosa, como secretario de la Cámara de Artes en el Consejo Federal de Cultura, como asesor del Instituto Nacional del Libro (Rio de Janeiro), como investigador en la Fundación Biblioteca Nacional de Brasil y asesor en el gabinete de la Presidencia de Funarte. Ha obtenido el Premio Jabuti (1986), el Premio Alphonsus de Guimaraens (2000 y 2014), el Premio Literario de la Fundación Biblioteca Nacional (2013) y el Premio Alceu Amoroso Lima – Poesia e Liberdade (2014). Ha publicado en poesía Palabra (1963), Dual (1966), Marca registrada (1970), De corpo presente (1975), À mão libre (1979), Longa vida (1982), 3×4 (1985), De cor (1988), Cabeça de homem (1991), Números anónimos (1994), Duplo cego (1997), Fio terra (2000), Máquina de escrever (2003), Raro mar (2006), Lar (2009) y Dever (2013)./

 

 

*(Rio de Janeiro-Brasil, 1940). Poeta. Foi pesquisador na Fundação Casa de Rui Barbosa, secretário da Câmara de Artes no Conselho Federal de Cultura, assessor do Instituto Nacional do Livro (Rio de Janeiro), pesquisador na Fundação Biblioteca Nacional do Brasil e assessor no gabinete da presidência da Funarte. Foi vencedor do Prêmio Jabuti (1986), do Prêmio Alphonsus de Guimaraens (2000 y 2014), do Prêmio Literário da Fundação Biblioteca Nacional (2013) e do Prêmio Alceu Amoroso Lima – Poesia e Liberdade (2014). Obra ao poesia: Palabra (1963), Dual (1966), Marca registrada (1970), De corpo presente (1975), À mão libre (1979), Longa vida (1982), 3×4 (1985), De cor (1988), Cabeça de homem (1991), Números anónimos (1994), Duplo cego (1997), Fio terra (2000), Máquina de escrever (2003), Raro mar (2006), Lar (2009) e Dever (2013).

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